Implementação de ESG: por que alinhar os 3 pilares é o maior desafio (e a maior oportunidade)
- Kátia Kuroshima
- 25 de ago. de 2025
- 3 min de leitura

Nos últimos anos, ESG deixou de ser um tema restrito a grandes corporações e investidores e passou a fazer parte do vocabulário de PMEs, associações e até startups brasileiras. Mas, junto com o crescimento da agenda, veio também uma grande confusão: afinal, o que significa implementar ESG na prática?
Em muitas empresas, ESG ainda é tratado como um check-list: adota-se uma ação ambiental aqui, um projeto social ali e um código de governança no papel. Essa abordagem fragmentada parece atender às pressões externas, mas é frágil e incoerente.
Uma organização não se torna ESG apenas porque planta árvores, apoia uma ONG local ou publica um relatório anual. Sem alinhamento entre Ambiental, Social e Governança, essas práticas se chocam, perdem força e não transformam o negócio.
Por que tantas empresas falham em alinhar os 3 pilares
Falta de liderança comprometida - Em muitos casos, ESG é visto como responsabilidade de um departamento isolado — sustentabilidade, RH ou compliance. Sem o patrocínio claro da alta gestão, o tema se restringe a relatórios e campanhas de comunicação. As grandes decisões estratégicas — onde investir, como inovar, quais mercados acessar — não passam pelo filtro ESG. Isso impede que a agenda seja incorporada ao DNA da organização.
Ausência de métricas claras - Outra barreira recorrente é a falta de indicadores objetivos. Sem métricas confiáveis, ESG vira discurso. Uma empresa pode até lançar programas sociais ou investir em energia limpa, mas se não mede emissões, impacto econômico ou engajamento das comunidades, não consegue comprovar valor. Essa lacuna gera insegurança, dificulta a atração de investidores e abre espaço para críticas de greenwashing.
Mentalidade de silos - ESG é por natureza transversal. O impacto ambiental está ligado à operação; o impacto social, à gestão de pessoas e à cadeia de valor; a governança, às decisões do conselho e à transparência da comunicação. Mas na prática, cada área trabalha isolada, com seus próprios KPIs. Sustentabilidade não dialoga com finanças, marketing não conversa com compliance e o RH não se conecta à estratégia de impacto social. O resultado são iniciativas isoladas, que não escalam e perdem credibilidade.
Exemplos de quem está à frente
A Natura é referência global em alinhamento dos três pilares. Recentemente, lançou sua política regenerativa com a ambição de se tornar plenamente regenerativa até 2050. Não se trata apenas de mitigar impactos, mas de gerar valor positivo nos capitais humano, social e natural. Esse é um salto além da sustentabilidade: é colocar ESG como motor de inovação e expansão internacional.
A Patagonia é outro caso inspirador. Ao invés de perseguir uma imagem de perfeição, a empresa optou pela transparência radical. Admite falhas, compartilha aprendizados e mostra evolução contínua. Esse posicionamento fortalece a confiança do consumidor e comprova que ESG, quando autêntico, é também um modelo de negócios rentável.
No Brasil, a Aurora ilustra como PMEs e cooperativas também podem liderar. Partindo de iniciativas simples de governança e impacto social junto a produtores rurais, a cooperativa construiu credibilidade, conquistou consumidores e abriu novos mercados. O alinhamento entre os três pilares permitiu escalar práticas e consolidar a marca.
O que muda quando os pilares se alinham

Quando Ambiental, Social e Governança são tratados como uma matriz integrada, as empresas alcançam resultados muito além do esperado:
Coerência interna: as decisões se tornam consistentes, sem contradições entre áreas. Todos entendem a direção estratégica.
Confiança externa: investidores, clientes e talentos reconhecem autenticidade, o que abre portas para novos mercados, crédito mais barato e parcerias estratégicas.
Eficiência de recursos: iniciativas bem desenhadas geram impacto múltiplo — ambiental, social e de governança — evitando esforços duplicados e desperdício.
Inovação estratégica: ESG vira diferencial competitivo, antecipando regulações e criando produtos e modelos de negócios inovadores.
Resiliência e longevidade: empresas com forte base ESG atravessam crises com mais solidez, pois constroem reputação e legitimidade que sustentam sua marca em cenários adversos.

Caminhos para superar os desafios
Tratar ESG como GPS estratégico: cada decisão deve passar pelo filtro dos três pilares.
Integrar áreas e metas: sustentabilidade, RH, finanças, marketing e compliance precisam falar a mesma língua.
Criar métricas claras: indicadores de impacto devem guiar a tomada de decisão.
Comunicar com transparência: admitir avanços e limitações é mais poderoso do que exagerar.
Construir cultura: ESG precisa estar enraizado no propósito e no dia a dia da organização.







Alinhar os 3 eixos do ESG - Ambiental, Social e Governança potencializa as ações da empresa. Coerência gera credibilidade. Ações isoladas, mesmo bem-intencionadas, soam como “greenwashing” se não estiverem conectadas a uma visão integrada. Investir em energia solar, mas ter uma cultura interna tóxica ou falta de transparência, mina a reputação da empresa. A sustentabilidade é sistêmica, não setorial. Os impactos ambientais afetam pessoas; as relações sociais impactam a governança; e a governança define prioridades. Quando os três eixos estão alinhados, as ações se reforçam e o resultado é mais sólido e duradouro. A empresa que atua de forma dispersa nos pilares ESG corre o risco de parecer preocupada com imagem. A que alinha os eixos, constrói valor de verdade.😍